
Endocrinologista: um especialista em mudança de hábito de vida?
Levando-se em conta a quantidade de estudos realizados nos últimos anos que levam em conta o critério de QoL (quality of life – qualidade de vida) questionado aos pacientes em casos como menopausa, andropausa, somatopausa, deficiência de vitamina D e outras afecções de cunho hormonal, podemos dizer que o médico endocrinologista está se transformando cada vez mais no médico especialista em qualidade de vida, ainda mais se associarmos os tratamentos farmacológicos desenvolvidos nos últimos anos às necessárias mudanças alimentares e de atividade física, que constituem algumas das mudanças de hábito de vida que complementam – juntamente com o bem-estar social e psicológico – o nível de satisfação que uma pessoa pode sentir.
Agora, entretanto, chegamos a um impasse: podemos dizer que o endocrinologista é o especialista em promover estas mudanças de hábito de vida? Bem, se levarmos em conta somente o desejo e o conhecimento necessário, talvez. Agora, se levarmos em conta a efetividade com que estas mudanças se instalam e permanecem na vida dos seus pacientes, este já não pode ser assim chamado, tampouco o professor de educação física ou personal trainer e tampouco a nutricionista, ambos com dificuldades – assim como o endocrinologista – de conseguir mudanças de hábito de vida permanentes nos indivíduos que acompanham. E então, quem será este especialista em mudança de hábito de vida?
Este especialista não existe. Está para nascer. Pode ser você que está lendo este artigo agora o responsável por achar o interruptor humano para que este caminhe em direção à uma vida mais saudável e duradoura. Mas – e dói admitir isso – esse alguém não sou eu.
Ainda não fomos (e mesmo que não esteja estudando isso, já que não sou cientista mas um simples “prático”, mas me incluo nessa) capazes de sistematizar uma forma eficaz de comunicar ao nosso consulente – ou talvez, sendo mais específico – ou ao sistema responsável os meios necessários para manutenção do peso, de uma atividade física regular, de uma nutrição saudável, da cessação dos hábitos de tabagismo e etilismo, entre outros.
Mas é importante lembrar que a falha não está somente na transmissão do conhecimento. Isso seria simplificar demasiado a questão. Afinal, não existem nutricionistas obesas, endocrinologistas que fumam e professores de educação física com alimentação incorreta? A resposta para as questões que estão sendo levantadas passam muito pelos conceitos de desejo e de conforto, e serão assunto para outro momento. Enquanto isso, vou refletir um pouco mais sobre como conseguir melhorar, ao menos em 10% ao que consigo hoje, a eficácia de minhas tentativas em melhorar o hábito de vida – e, conseqüentemente, a qualidade e quantidade de vida – dos meus pacientes.
Com todo carinho do mundo, Namaskar.
Rafael Reinehr
*publicado originalmente em 11 de novembro de 2008 em reinehr.org
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